sábado, 4 de março de 2017

Clube de Leitura de Braga - Março 2017

O Clube de Leitura de Braga vai reunir-se hoje às 15 horas para falar de "Aleph", de Jorge Luís Borges, e mais tarde às 17h30 para discutir "The Umbrella Aacademy 2: Dallas", o romance gráfico de Gerard Way e Gabriel Bá.



Juntem-se a  nós na Bertrand de Braga, no Liberdade Street Fashion, bem no centro da cidade.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Mil Sóis Resplandescentes

"Mil Sóis Resplandescentes (A Thousand Splendid Suns)", de Khaled Hosseini (Editorial Presença)

Opinião:
Já há muito tempo que um livro não me fazia ficar a pensar tanto em algo, durante e depois de eu terminar a sua leitura. Com cada leitura aprende-se algo. Seja da natureza humana, seja de ciência, ou de vida, mas quando se lê algo que está tão enraizado numa cultura, numa nação, num povo e numa religião que, apesar de tanta mediatização acaba por nos ser ainda tão desconhecido, parece que absorvemos ainda mais.
"Mil Sóis Resplandescentes" é ficção mas usa momentos-chave da história do Afeganistão, tradições da religião muçulmana e do povo afegão, para dar vida a uma história que mexeu comigo. Nesta história acontece uma tragédia a seguir à outra, de tal forma que já esperamos o pior de cada situação e é isto que, normalmente, acaba por acontecer mas não é por isso que o livro é menos interessante. Mesmo no fim, quando algo de bom acontece, há algo de bem pior que acaba por estragar a felicidade que nunca é completa.
A narrativa foca-se em duas mulheres com passados muito diferentes mas cujas vidas se cruzam de uma forma muito desumana. As duas acabam por criar um laço muito forte, após um começo espinhoso, e vão lutar pela sua liberdade numa casa e num país que não lhes garante segurança nenhuma em tempos difíceis.
Mariam e Laila são duas personagens muito diferentes mas que descobrem ter muito em comum.

Na verdade a única coisa que eu posso dizer de mal deste livro é realmente o facto ser tão trágico que já sabemos de antemão que cada nova coisa vai terminar da pior forma possível. Podemos não saber ao certo o que é mas já esperamos tudo. E não é que isso seja mau porque há vidas assim, onde tudo corre mal e as poucas coisas que trazem um pouco de felicidade acabam por ser pequenas demais.


"Mil Sóis Resplandescentes" é um livro poderoso porque nos embrenha no Afeganistão e nas vivências dos seus habitantes, na sua história, na sua riqueza e pobreza, e nas personagens cujas vidas conhecemos desde a infância. É inquietante, é brutal e mexeu muito comigo. Fiquei com muita vontade de saber mais sobre o povo Afegão e já vi vários documentários desde então. também estou a pensar ler o Alcorão, por pura curiosidade.
Isto, mais que outra coisa qualquer, é testemunho de como este livro mexeu comigo. É de livros assim que precisamos. Não em grandes doses, mas um de vez em quando é bom para nos tirar da nossa zona de conforto, levar-nos a conhecer outras realidades.
Está mais que recomendado e pretendo ler mais obras deste autor.

Sinopse:
Mil Sóis Resplandecentes é um romance pleno de sensibilidade que conta já com mais de meio milhão de exemplares vendidos e os lugares cimeiros dos tops dos diversos países onde se encontra publicado. Tendo como pano de fundo as convulsões sociopolíticas que abalaram o Afeganistão nas últimas três décadas, conhecemos Mariam e Laila, duas mulheres que a guerra e a morte obrigam a partilhar um marido comum e cuja coragem lhes permitirá lutar pela sua felicidade num cenário impiedoso. Uma obra inesquecível que evoca o que há de mais intrínseco a todos os seres humanos: o direito ao amor, a um lar e à integridade.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Dangerous Women

"Dangerous Women", antologia com contos de Brandon Sanderson, Caroline Spector, Carrie Vaughan, Cecila Holland, Diana Gabaldon, Diana Rowland, George R.R. Martin, Jim Butcher, Joe Ambercrombie, Joe R. Lansdale, Lawrence Block, Lev Grossman, Megan Abbot, Megan Lindholm, Melinda M. Snodgrass, Nancy Cress, Pat Cadigan, S.M. Stirling, Sam Sykes, Sharon Kay Penman, Sherrilyn Kenyon

Opinião:
Sem dúvida que esta antologia nos traz mulheres fortes, cheias de garra, capazes de lutar pelo que acreditam e de inspirar outros a fazer o mesmo, quer elas sejam as boas ou as más da fita.
Dangerous Women reúne alguns dos melhores contos que li este ano e quase todos os contos estão num patamar bem alto, tirando dois ou três que foram mais fracos.
Gostei muito das histórias, das protagonistas e da riqueza das histórias e diversidade de pontos de vista. Aconselho! Mesmo a quem não se acha muito fã de ficção curta.

"Some Desperado", de Joe Abercrombie (narrado por Stana Katic)
A protagonista é uma espécie de criminosa em fuga de outros criminosos, e está metida num grande sarilho logo no início. A forma como ela se desenrasca e se consegue defender é digna de se ver. O mais interessante para mim, neste conto, foi a forma como a protagonista foi tão bem apresentada ao leitor. Ficamos a conhecer várias facetas dela num curto espaço de tempo e a sua atitude na batalha fina surpreendeu-me, na positiva. O fim propriamente dito é bastante aberto mas compreensível. O único senão do conto é o início mais moroso e o facto de os vilões serem muito estereotipados.
Nota: 7/10

"My Heart is Either Broken", de Megan Abbot (narrado por Jake Weber)
Este foi um dos meus contos favoritos da antologia. Fala-nos de um casal que está destroçado pelo desaparecimento da sua filha. O que realmente me cativou foi o facto de ser narrado na perspectiva do marido e vermos a sua crença, a início parece inabalável, sendo aos poucos corroída pela semente da dúvida. No fim nada é certo mas também o leitor fica com os mesmos receios. Adorei!
Nota: 8.5/10 

"Nora's Song", de Cecila Holland (narrado por Harriet Walter)
Gostei muito desta família real e de como elas interagiam, de como eram tão unidos à mãe e tão distantes em relação ao pai (coisa que rapidamente se entende porque acontece). O facto de a narradora ser a Nora, uma das crianças mais pequenas, também me agradou. Dava ao texto um ar mais inocente mas ao mesmo tempo muito inquisidor.
Infelizmente o final bastante inacabado deixou-me insatisfeita. E aqui a "mulher perigosa" é mais ambígua.
Nota: 6/10

"The Hands that are not There", de Melinda M. Snodgrass (narrado por Jonathan Frakes)
A história aqui começa num bar onde um homem se senta com um estranho e este lhe conta uma história mirabolante que poderá ou não ser verdadeira. A premissa por si só é banal e confesso que não me senti cativada a início, no entanto quando a Sammy entrou em cena a coisa mudou de figura. Sedutora, confiante e imprevisível. Uma verdadeira Dangerous Woman.
No final fica a dúvida se o estranho estaria a inventar tudo aquilo ou se poderia mesmo ser verdade.
Nota: 5.5/10

"Bombshells", de Jim Butcher (narrado por Emily Renkin)
Raios! Não devia ter lido este conto antes de ler todos os livros da série Dresden. Mega spoilers!
Mas esquecendo isso por um bocado, este conto segue uma missão da nova aprendiz de feiticeira, numa aventura feita só de mulheres, cheias de determinação e com o "Power of the Rack", como diz a própria protagonista.
Cheio de acção, bons diálogos e humor, gostei desta aventura e da surpresa final que fez com que o conto tivesse um significado bem grande até para a série principal de Dresden Files. Gosto disso!
Nota: 7/10 

"Raisa Stepanova", de Carrie Vaughan (narrado por Inna Korobkina)
Uma história diferente das outras que já li da autora. Fala-nos de uma piloto de avião de guerra, durante a 1ª Guerra Mundial, ou alguma semelhante, e de como as mulheres tinham de ter muito carácter para estar na força aérea. A mentalidade caseira e patriótica da protagonista salta à vista em cada palavra e foi uma mudança boa.
Não gostei particularmente do final mas fora isso achei a protagonista muito forte e guerreira, e gostei do foco da história.
Nota: 7/10

"Wrestling Jesus", de Joe R. Lansdale (narrado por Scott Brick)
Um, se não mesmo o meu conto favorito da antologia. Não tem meias medidas com as palavras ou com as situações porque passa o protagonista. E só bem depois do meio é que ficamos a saber afinal quem é a mulher perigosa desta história. A sua ausência e a sua quase inexistência acabam por tornar a experiência ainda melhor, visto que quase tudo fica à imaginação do leitor. O seu feitiço será real ou fruto da imaginação de Jesus?
Mas o melhor do conto é mesmo o elo que se cria entre Jesus e Marvin. Muito especial!
Nota: 9/10 

"Neighbors", de Megan Lindholm (narrado por Lee Meriwether)
Gostei muito do tema deste conto: Alzheimers. Aqui conhecemos uma senhora já com uma certa idade, que vive só. Tem uma vizinha com Alzheimers que desaparece uma noite depois de a visitar e, a partir daí, a sua vida nunca mais será a mesma. Ver o progresso da doença escrito desta forma foi bastante intrigante e fantasioso, mas não menos penoso.
Nota: 7.5/10 

"I Know How to Pick 'Em", de Lawrence Block (narrado por Jake Weber)
O ambiente neste conto é bastante sombrio. Nenhuma das personagens é amistosa e o protagonista, que é quem está em foco, é especialmente intenso. O final, apesar de ser algo de prever, acabou por surpreender pela sua crueza . O melhor é mesmo a personalidade fria do protagonista e a força da narração.
Nota: 7.5/10 

"Shadows for Silence in the Forest of Hell", de Brandon Sanderson (narrado por Claudia Black)
Uma história muito interessante que se passa em volta de uma estalajadeira que não é bem aquilo que parece à primeira vista. A protagonista é a personagem mais bem construída mas, como sempre, o autor consegue que todas as outras sejam marcantes à sua maneira. A história e a luta (mental e física), bem como todo o sistema de magia aqui apresentados, são memoráveis. Só achei que a acção se arrastou um pouco de mais no início. Fora isso, vale mesmo a pena.
Nota: 8/10  

"A Queen in Exile", de Sharon Kay Penman (narrado por Harriet Walter)
Embora ache a história em si interessante, isto era matéria para dar um livro e não um conto. Teria sido muito mais proveitoso se o conto se focasse apenas numa cena da história desta rainha no exílio e não tentasse descreve grande parte da sua vida adulta em algumas páginas. O que acontece é que não há personagens interessantes, a acção salta muito e a prosa tem escassez de profundidade, já que não se debruça em nada ao pormenor.
Nota: 4.5/10 

"The Girl in the Mirror", de Lev Grossman (narrado por Sophie Turner)
Aquela que era uma premissa muito interessante acabou por perder algum alento com uma prosa pouco enérgica. Faltava-lhe ânimo e havia demasiadas coisas a distrair a atenção do leitor. Não havia um foco real. As coisas iam acontecendo para serem giras mas não senti grande ligação nem com as personagens nem com a escola de magia.
Nota: 5/10  

"Second Arabesque, Very Slowly", de Nancy Cress (narrado por Janis Ian)
Uma história muito rica! Em poucas palavras percebemos que o mundo está um caos e como as regras da sobrevivência nele operam. A nossa protagonista é uma mulher considerada já velha entre os seus, embora não seja muito, e como ela lida com a sua crescente debilidade e como acaba por influenciar, sem saber bem como, outros mais novos a tomarem decisões que alterarão para sempre a vida de todos eles.
Adorei o conceito, a prosa e o final.
Nota: 7.5/10 

"City Lazarus", de Diana Rowland (narrado por Scott Brick)
Com um protagonista tudo menos ortodoxo, que nem sequer pode ser chamado de anti-herói, foi na sua personalidade que residiu grande parte da força deste conto. A localização e o problema da cidade, como uma personagem por si só, foi do que mais manteve o meu interesse.
A mulher perigosa deste conto é fácil de adivinhar mas as suas motivações só transparecem aos poucos. A sua manipulação dos personagens é refrescante.
Nota: 7.5/10 

"Virgins", de Diana Gabaldon (narrado por Alan Scott-Douglas)
Uma coisa que me intriga neste conto, e não tem mesmo nada a ver, é porque este título? Parece-me a mim que nenhuma destas personagens é propriamente virgem. Ehehe!
Este foi o meu primeiro contacto com a famosa escritora Diana Gabaldon e confesso que a prosa me agradou bastante. No entanto o machismo é bastante intenso em toda a trama e eu não posso ignorar isso, mesmo tendo em conta que isto se pasou há uns bons séculos atrás, quando as mulheres pouco mais eram que objectos.
Confesso, algumas cenas aqui deixaram-me desconfortável e isso não é coisa fácil de se fazer. Bom sinal? Claro!
O problema é que não consegui simpatizar muito com os protagonistas,  o que me parece que será um empecilho caso eu alguma vez pretenda ler a série Outlander.
Prosa impecável, crueza que chegue e sobre, mas uma história que embora interessante acabou por se arrastar bastante e, na verdade, não surpreendeu muito.
Nota: 6.5/10 

"Hell Hath no Fury", de Sherrilyn Kenyon (narrado por Stana Katic)
Este conto é um dos mais rurais pois, apesar de se focar num grupo de jovens moderno, passa-se numa cidade fantasma, amaldiçoada, onde coisas estranhas acontecem e são despelotadas muito graças a uma dessas jovens que é uma espécie de medium.
Apesar do início bastante comum, gostei de como o folclore foi usado e da própria protagonista. O final pareceu-me demasiado feliz.
Nota: 6.5/10 

"Pronoucing Doom", de S.M. Stirling (narrado por Claudia Black)
Embora este conto seja bastante expositivo, eu na verdade gostei muito da protagonista e especialmente do conceito por detrás deste mundo envolto em caos. A força das mulheres nesta religião que as mesmas criaram é extraordinária. E gostei de como elas iam inventando as leis e os rituais à medida que deles iam precisando. Na prosa notava-se a hesitação da protagonista, mas também a sua resolução.
Os temas aqui abordados também são muito interessantes e algumas das abordagens e escolhas dão que pensar, quer seja pelo uso abusivo dos recursos do planeta, como pela culpabilidade da sociedade por ignorar os sinais de abusos nos seus vizinhos, ou pela transferência de justiça para as mãos do povo, que não pode apenas decidir qual o castigo mas deve também reforçá-lo e viver com isso na sua consciência.
Nota: 7.5/10 

"Name the Beast", de Sam Sykes (narrado por Janis Ian)
Os saltos de cena deste conto poderiam ter sido bons instrumentos para manter o suspense do leitor, e na realidade ao princípio funcionou, mas depois comecei a ficar confusa, a misturar as sequências e a perceber que na verdade o leitor acaba por não saber nada de nada da espécie de criaturas que aqui são descritas. Só sabemos que são selvagens, letais e que tem inteligência talvez superior à dos humanas. O que realmente as motiva? Porquê aqueles alvos? Não sabemos, e isso para mim não é suficiente.
A relação entre o casal de estranhos seres estava muito interessante, mas nem isso nem a relação da fêmea com a filha foram suficientes para me convencer.
Nota: 4/10 

"Caretakers", de Pat Cadigan (narrado por Maggi-Meg Reed)
Talvez o conto mais familiar de toda a antologia, não com uma, mas sim duas mulheres perigosas (ou poderei até dizer mais).
Também esta história fala da velhice e até de Alzheimers, mas do ponto de vista das duas filhas de uma pessoa doente. Não há aqui fantasia, nem sequer um grande mistério. É uma história de relacionamentos, de consciência, de vida e de decisões. Eu gostei muito!
Nota: 7.5/10 

"Lies My Mother Told Me", de Caroline Spector (narrado por Jenna Lamia)
Este conto está empatado com o "Wrestling Jesus". Já tinha ouvido falar da série de livros Wild Cards (organizado do George R.R. Martin) mas nunca tinha lido nada da série e agora fiquei super-curiosa!
O conceito é muito rico mas realmente o que me prendeu neste conto, além da escrita, foram as personagens. Em poucas linhas elas ficam definidas e depois vamos ficando a cohecê-las cada vez melhor. Em pouco tempo sabemos muito sobre as três mulheres desta história, e o seu inimigo (se é que lhe podemos chamar assim). A premissa tem tanto de divertida como mórbida: uma mulher, cujo poder é o de criar bolhas a partir da sua gordura, está a participar numa parada quando a multidão é atacada por zombies.
Muito bom!
Nota: 9/10 

"The Princess and the Queen", de George R.R. Martin (narrado por Ian Glen)
Ora eu já tinha lido algo do Martin mas realmente este conto não me convenceu. Não porque não fosse interessante mas porque o autor comprimiu a história para caber no formato de um conto e por mais que a prosa seja interessante, o facto de nos debitar informação constantemente e nos apresentar dezenas de personagens que depois acabam por ter pouca relevância (ou cuja relevância se perde porque é tão pouco o espaço para as conhecermos).
A história é super-interessante mas não era para ser um conto, era para ser, no mínimo, uma noveleta. Assim não cativa.
Nota: 5.5/10 

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Clube de Leitura de Braga - Fevereiro 2017

Hoje, às 15h, no Clube de Leitura de Braga, estará em discussão "Ilusão perfeita", de Jodi Picoult.
Mais tarde, às 17h30, iremos falar de "O Árabe do Futuro", o romance gráfico de Riad Sattouf.


Juntem-se a nós na Bertrand de Braga, bem no centro da cidade!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Em Busca do Carneiro Selvagem

"Em Busca do Carneiro Selvagem", de Haruki Murakami (Casa das Letras)

Opinião:
Este é um daqueles livros que se lê num instantinho. Flui tão bem! Infelizmente cá em casa houve um acidente envolvendo uma cadela com problemas de ansiedade, uma mesinha de cabeceira com livros ... e o resto é história. Resultado, estava eu a meio da leitura quando, certo dia, chego a casa e descubro o meu exemplar de "Em Busca do careiro Selvagem" selvaticamente atacado pela já mencionada cadela.
Dava para ler mas não era nada bonito de se ver ou folhear, por isso acabei por trocar para a versão ebook (desta feita em inglês). Sinceramente, acho que a versão impressa portuguesa está mais interessante. Adorei o trabalho da tradutora (Maria João Lourenço).

Mas falando do conteúdo do livro, que é o que realmente interessa. Esta é o meu terceiro contacto com o trabalho de Haruki Murakami e estou muito contente por lhe ter dado uma segunda e terceira oportunidades porque gostei bastante deste "Em Busca do Carneiro Selvagem".
A prosa do autor envolve o leitor na história das personagens mais banais, que rapidamente se revelam ser na verdade muito peculiares. O que nos leva a reflectir que mesmo as pessoas mais comuns normalmente têm algo de fantástico e surpreendente a revelar-nos.

A história é mirabolante, ou a sua premissa pelo menos é. Um homem que é coagido a partir em busca de um carneiro que por acaso aparecia numa fotografia que ele usou numa publicidade, e que por outro acaso tinha-lhe sido enviada por um amigo que ele já não vê há anos.Há medida que a história vai avançando, o enredo vai ficando mais surreal e as próprias personagens também. O nosso protagonista, que já não é uma pessoa muito sociável, vai aos poucos distanciando-se da sua vida e do mundo, até culminar numa conversa muito estranha (mas profunda) com uma (ou duas) certa personagem ainda mais bizarra.

Voltando ao assunto da prosa, por vezes o autor tende a filosofar um pouco mas não é nada que se alastre demasiado ou que deixe de ser interessante. De resto adorei e, repito, o texto flui muito bem.
Também adorei a parte histórica (da vila), que não sei se é baseada em factos reais ou completamente inventada pelo autor.

Em suma, foi mais um trabalho do autor que eu gostei, embora não tenha amado tanto como o "Sono". A história pode parecer muito sem-sentido mas na verdade é uma viagem ao interior das personagens e ao interior do próprio Japão. Recomendo!

Sinopse:
Ambientado numa atmosfera japonesa, mas com um pé no noir americano, Murakami tece uma história detectivesca onde a realidade é palpável, dura e fria, e seria a verdade de qualquer um, não fosse um leve pormenor: é uma realidade absolutamente fantástica. Um publicitário divorciado, que tem um caso com uma rapariga de orelhas fascinantes, vê-se envolvido, graças a uma fotografia publicitária, numa trama inesperada: alguém quer que ele encontre um carneiro! Mas não é um carneiro qualquer. É um animal que pode mudar o rumo da história. Um carneiro sobrenatural... Murakami dá a esta estranha história um tom que só um oriental pode imprimir a uma crença, fazendo-a figurar como um facto da realidade. Coloca, de uma forma genial, a fantasia na aridez do mundo real.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

:: divulgação:: The Handmaid's Tale - a série

"The Handmaid's Tale" conhecida por cá como "A História de ma Serva" vai ter direito a uma série de televisão, produzida pela Hulu (que, pelo que percebi, é um serviço tipo netflix) e que será lançada no dia 26 de Abril de 2017 (nos USA).
O primeiro trailer já foi divulgado e promete!



Eu li o livro da Margaret Atwood em 2016 (podem ler a minha breve opinião aqui) e acho que tem potencial para ser bem passado para o ecrã. Vai depender de quem dirige a série.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Os Melhores Livros de 2016

 Terminou mais um ano! Espero que todos vocês encontrem, em 2017, a felicidade a cada esquina.
Mas não há início de ano sem um apanhado dos livros lidos e apreciados no ano anterior. Vamos a isso!

Para começar, se quiserem, podem consultar a lista de todos os romances/antologias, bandas desenhadas/mangas e contos que li no ano que passou AQUI.
Também podem ver uma lista mais visual no Goodreads AQUI, com algumas curiosidades.

Seguem-se os números:
Em 2016 li 39 livros (incluindo antologias, romances, noveletas e 1 livro infantil) somando 12.098 páginas (contando com as páginas que têm as versões físicas dos que escute em audiobook)e mais de 276 horas de audiolivros escutados.
- 11 destes livros estavam em português (7 de autores portugueses) e os restantes 28 em inglês
- 8 foram lidos em formato físico, 3 em ebook e 28 em audiolivro.
Nota média de leitura: 6,56 de 10 possíveis. 

O Género mais lido em romance foi Fantasia (11) e em conto foi a Ficção Científica (12)

Li 35 álbuns de banda desenhada e 4 volumes manga, num total de cerca de 5.247 páginas.
A nota média de BD foi 7,1 e de manga foi de 5,5, em 10 possíveis.

Li 46 contos, 17 dos quais de autores portugueses
Nota média dos contos é 6,38 em 10 possíveis.

Seguem-se os Tops!
 Top 5 de romances/antologias de 2016:
1) "O Quarto de Jack", Emma Donoghue
2) "Graceling - O Dom de Katsa", Kristin Cashore
3) "A Rapariga no Comboio ", Paula Hawkins
4) 
"The Plutonium Blonde", John Zakour
 5) "Bons Augúrios", Neil Gaiman e Terry Pratchett



Top 5 de BD e Manga de 2016:
1) "Sharaz-De", Sergio Toppi
2) "Murena", Jean Dufaux e Philippe Delaby
3) "O Buda Azul", Cosey
4) "Maus", Art Spiegelman
5) "Israel Sketchbook", Ricardo Cabral



 Top 5 contos de 2016:
1) "Wrestling Jesus", Joe R. Lansdale (in Dangerous Women)
2) "Icarus Blues", Ricardo Dias
3) "Shadows for Silence in the Forest of Hell", Brandon Sanderson

(in Dangerous Women)
4) "Querido, estás morto", João Dias Martins / Joel G. Gomes (in Conto Fantástico 3)
5) "My Heart is Either Broken", Megan Abbot
(in Dangerous Women) 

Tops por categorias:

Melhor Autor/a Português/esa de 2016: Susana Almeida
Melhor Autor/a Estrangeiro/a de 2016: Kristin Cashore

Melhor P. Principal Masculina de 2016: Jacob (in O Quarto de Jack)
Melhor P. Principal Feminina de 2016: Katsa (in Graceling - O Dom de Katsa)
Melhor P. Secundária Masculina de 2016: HARV (in The Plutonium Blonde)
Melhor P. Secundária Feminina de 2016: Grandma Mazur (in Two for the Dough)
Melhor Vilão de 2016: Etaín (in Sombras da Morte) 
Melhor Casal Literário de 2016: Po e Katsa (in Graceling - O Dom de Katsa)

Nota:Como devem ter percebido, grande parte dos meus livros favoritos não tem uma review aqui no blog. Tenciono corrigir isso brevemente.
Entretanto gostaria que me contassem quais foram as vossas melhores leituras de 2016, e que planos literários têm  para 2017. Deixem os vossos comentários.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails